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Poema: Deus

DEUS

 Diz o ímpio: não há Deus.

E o néscio: Deus é um mito.

No entanto eu ouço Deus cantando no infinito.

E vejo Deus na terra

E vejo Deus nos mares

Onipresente, vejo-o em todos os lugares

Desde a massa espectral das grandes nebulosas

À humilde candidez dos lírios e das rosas

Desde os mais altos céus aos mares mais profundos

Na intensa vibração dos seres e do mundo

Onde quer que haja vida

Onde quer que haja alento

Onde quer que haja força a par do movimento.

Deus sempre se revela

O mesmo Deus bendito

Santo, justo, eficaz, magnífico e infinito.

Espírito que habita as imensidões eternas.

Ele, as forças mundiais, dinâmico governa.

E regendo com justiça a máquina do mundo:

Desde o céu opalino ao abismo profundo.

A flor, a neve, a noite, o dia

A terra, o mar, a ventania,

O sol, a lua, as estrelas,

Os arbustos, o orvalho, as cascatas,

Os bosques, os montes e as matas.

Tudo revela Deus!

Tudo quanto se move, tudo que palpita

O astro menor que em torno do astro maior gravita

O vento que descerra o véu da tempestade

A chuva salutar, que traz fecundidade.

A semente que germina,

A flor que desabrocha,

O fruto que provém da flor,

A pétala e a rosa.

O lobo, a hiena, o tigre, o elefante,

O frio, a brisa, a penha, o diamante,

A morte, a luz, a natureza,

o cedro, o abismo, os troncos e as plantas,

Tudo, tudo estremece em harmonia santa!

Só o homem professa o ateísmo.

A águia, a gaivota, o cogumelo, o verme pequenino,

Tudo, tudo obedece à lei do código divino,

Que é glória, que é poder,

Que é vida em movimento,

Na terra, sobre o mar e além do firmamento!

E o incrédulo não vê,

Porque Deus, em essência,

É todo superior à etérea transparência.

E ninguém pode ver o seu vulto bendito,

Santo, justo, eficaz, magnífico e infinito.

Por isso diz o ateu: Deus não existe.

No entanto, nas obras da criação Deus fala sem quebranto.

E só os crentes podem com claridade imensa

Contemplar a Deus pelos olhos da crença

Pois quem medita e crê no Todo Poderoso

Sabendo que Ele é bom, perfeito e majestoso.

E através da criação

Perpetuamente em festa

Conhece que o poder de Deus se manifesta!

A vaga que se opõe ao pedregulho

Confessa humildemente

Em soluçante arrulho,

De Deus a existência.

A brisa o vê na flor,

A flor o vê na aurora,

O mar o vê no sol,

O sol o adora!

Deus existe! Responde a consciência!

Deus! Murmura o vento embravecido!

Deus! Responde o mar enfurecido!

Deus! Brada o rochedo!

E a brisa diz e deslumbra segredos.

Em tudo existe Deus!

Deus faz dos arbustos catecismo

E penetra até o fundo dos abismos

E os abismos relatam-lhe a grandeza!

Deus é o eco que em tudo soa!

Deus é o hino que o universo entoa!

Deus! Diz ajoelhada a natureza!

Deus é como a aurora luminosa

E mostra-se além da presunção vaidosa

Tao errônea e escolar dos ateus

Qual relâmpago nítido e fascinante

Se ostenta visível e radiante

Na flor, no mar, na terra e lá nos céus.

E bem aventurado é o homem que está certo

De um dia penetrar em pleno céu aberto

Para, longe da dor e longe da vaidade,

Viver feliz com Deus por toda a eternidade!

Desconheço a autoria.